Um bom banho, algo para beber e qualquer mente se torna mais lúcida. Ou pelo menos eu acredito ter alguma lucidez nesse emaranhado de ligações e conexões que minhas idéias insistem em provocar.
Já não tento pincelar beleza em minhas palavras (se é que um dia elas tiveram), apenas as expulso de mim, como um gato expulsa uma bola de pelos que lhe incomoda a garganta.
E estas palavras vêm sempre com um ponto torto no fim, aquele ponto em gancho (talvez seja essa a sua verdadeira função, a de deixar palavras em ganchos ou idéias penduradas) este ponto que aparentemente é o mais odiado e estamos sempre tentando nos ver livre dele, este ponto, claro, é a interrogação.
Entre estas perguntas freqüentes (quem sou? o que sinto? para quem? e por quê?) algumas outras mais pontuais, chamam a atenção de meus pensamentos, onde, quase todas envolvem as pessoas que me circundam e quais são os meus sentimentos por elas, e como todas estas interrogações permanecem, decidi deixá-las para outro momento
Porem, uma porção importante de minhas interrogações, vem de mãos dadas com os pensamentos sobre a minha função vital, e é neste ponto onde meus sentimentos se perdem junto com essas interrogações, é neste ponto em que vejo o monstro desprezível da auto-critica extrema, que a cada dia me olha nos olhos e pede para que eu deixe de tentar, pois a inutilidade de minhas mãos se encarregará de fazer com que tudo de errado, também é neste ponto onde sinto ódio e amor, tristeza e alegria, ciúme e desapego, tudo emaranhado a pergunta que mais me faço na vida.
Qual a minha contribuição com o meu mundo?
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